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Apenas 26 km separaram BH de Sabará. Esta proximidade faz com que seja impossível deixá-la para trás. Começou a ser povoada em 1675 e logo se tornou uma das vilas mais promissoras da região. A Casa da Intendência (hoje Museu do Ouro) revela a sua importância, pois somente eram construídas nas vilas onde havia grande quantidade extraída do mineral.

Como chegar?

Saindo de Belo Horizonte siga pela avenida Cristiano Machado, até o cruzamento com a avenida José Cândido da Silveira, seguindo até o seu final. Ao acessar o trevo, mantenha-se à direita pela rodovia MGT 262 até a chegada da cidade.

Onde passear?

O passeio deve começar pelo centro histórico, onde prédios conservados e casas antigas são a visão da Rua Pedro II. Neste local também funciona a Prefeitura da cidade (Solar do Padre Correa).

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Outras construções chamam a atenção pelo cuidado e conservação. Porém não fique pensando em encontrar aqui os tipos de construção de Ouro Preto, já que enquanto aqui era uma vila, lá chegou a ser uma das principais cidades do país daquela época. Já Sabará, foi explorada pelos bandeirantes, de onde se retirou muito ouro através dos garimpos e de algumas poucas minas.

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A rua termina na Praça Santa Rita, onde um coreto relembra os tempos em que, aos domingos, a banda de música da cidade fazia as apresentações para a comunidade. Ele foi instalado depois que o crescimento da cidade forçou a retirada de uma igreja dali (Santa Rita) para melhorar o fluxo de pessoas e veículos, ainda no início do século passado. No Museu do Ouro ainda existe fotos e adornos em madeira da antiga igreja.

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Apenas alguns metros à frente separam esta praça da seguinte (Melo Viana), mas no caminho se encontra o Teatro da Ópera totalmente recuperado. Imperdível de se conhecer. São três pisos de camarotes e uma plateia central, todos utilizando cadeiras individuais, embora haja alguns bancos espalhados nos corredores do teatro. A recuperação mostrou a importância do prédio para a cultura da cidade. Imperdível!!

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Seguindo, já na praça encontramos a Igreja de Nossa Senhora do Rosário (dos Homens Pretos), uma construção toda em pedra e inacabada, construída por escravos já que estes, às vezes, eram impedidos de frequentar a igreja dos brancos. Datada de 1768 abriga em seu interior uma pequena capela, onde funciona também um Museu de Arte Sacra com peças dos séculos XVII e XVIII. Foram mais de cem anos para a sua construção (várias vezes interrompida), mas ainda assim, continuou inacabada pela falta de recursos da irmandade que a fundara.

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O que há de originalidade nesta igreja não é só a sua construção em pedras, mas a falta de sua conclusão e a construção da capela em seu interior.

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Prosseguindo em direção ao final da cidade, passamos pelas casas onde supostamente teriam vivido Borba Gato, bandeirante que desbravou caminhos por estas regiões e ligado a fundação da cidade, também a casa de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, cujas esculturas em madeira enriquecem os templos religiosos de algumas cidades de Minas. Chegamos a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com o seu antigo cemitério logo em frente. Dentro desta Igreja, segundo os guias, eram enterrados os mortos daquela irmandade, logo abaixo das tábuas do piso, em seu interior. Somente com a chegada de Dom João VI, esta prática foi abandonada, já que a permanência dos corpos ali poderia afetar a saúde dos fiéis. Ainda em seu interior existem várias obras do mestre Aleijadinho.

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Um pouco mais à frente chegamos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ricamente adornada em várias peças banhadas à ouro. Um belo exemplar. Além das pinturas, esculturas e todo interior da igreja, salta aos olhos a riqueza de detalhes em cada peça.

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Mais a joia está a apenas alguns metros dali, o largo da Igreja de Nossa Senhora do Ó, onde a arquitetura portuguesa com influências em estilo chinês, reproduz as pinturas de olhos bem puxados, revelando as influências da época. Embora simples quando vista externamente apresenta um interior ricamente decorado, considerada uma das criações mais requintadas da arte barroca. As pinturas nas paredes apresentam alguns barcos e os pagodes chineses, além de outras características que não são comumente encontradas em igrejas barrocas. É que foram contratados pintores vindos de Macau, China, colônia portuguesa naquela época.

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Voltando ao centro chegamos ao Museu do Ouro, uma construção antiga com seu chão de cascalhos ou de lajotas cerâmicas apresenta em seu interior móveis, pratarias, peças sacras e equipamentos de fundição de barras de ouro e cunhagem de moedas. Era utilizada inicialmente para a cobrança dos impostos sobre a extração de ouro na região e o piso superior era utilizado como residência pelo Intendente, figura responsável pela fiscalização.

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Nos fundos do Museu há um pátio, onde é possível fotografar, existe um relógio de sol, todo em pedra, com as marcações e um velho engenho (equipamento para gerar energia para alguma atividade mecânica).

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Há poucos metros do Museu do Ouro, situada ainda no alto do morro, fica a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, que talvez seja a mais simples de todas as igrejas históricas de Sabará. O seu interior é bastante despojado, confrontando com o interior das outras ricamente adornadas com peças esculpidas por famosos artesãos do barroco mineiro. Não há pinturas nos tetos, muito menos esculturas banhadas a ouro. Mas como igreja, a simplicidade atrai e permite uma visão diferente dos templos religiosos a que estamos acostumados a ver nas cidades históricas mineiras. Não há definição sobre a data de sua construção mas estima-se que foi construída na primeira metade do século XVIII e sofreu várias reformas.

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Então, vamos voltar para casa, mas ainda resta uma das últimas paradas. Na saída do centro histórico, descendo a rua que leva o mesmo nome, existe o Chafariz do Kaquende. Construído em 1757, transporta água de nascentes do Morro de São Francisco, através de aquedutos até o local. Visitantes e moradores matam sua sede com a água fresca que jorra de suas duas bicas batendo ali em sua mesa de pedra há centenas de anos (já são mais de 250 anos). Diz a lenda que quem bebe desta água sempre voltará aqui para rever os encantos de Sabará. Morei ali por dez anos, bebi milhares de vezes daquela água toda vez que ali passava, seja à caminho da escola ou de passeios. E toda vez que volto à cidade, passo ali para matar a sede e render homenagens a este feito que até hoje atende a sua finalidade inicial, uma fonte inesgotável de pureza e frescor.

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A casa de cadeia é um monumento histórico muito próximo ao Chafariz do Kaquende. Hoje abriga a biblioteca municipal, uma função muito mais nobre, ficando aberta apenas durante os dias úteis. Por fora, já se vê a imponência da construção.

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Uma viagem curta, mais interessante, que ainda pode-se estender pelos distritos (Arraial Velho e Pompéu) para conhecer algo mais da história e saborear a culinária regional.

Onde comer?

As melhores opções estão na Praça Santa Rita ou no entorno do centro histórico, entretanto se você não se importar com distâncias, tanto no sentido Caeté, onde o distrito de Pompeu oferece vários pratos com uma planta chamada ora-pro-nóbis acompanhados de frango ou de pernil de porco.

Onde hospedar?

Sugerimos que você retorne a BH, pela proximidade e multiplicidade de ofertas de acomodações. Mas existem boas opções se você quiser permanecer por lá.

Veja tambem outro post sobre Sabará: Um dia em Sabará

E outros lugares históricos: Ouro Preto e São Bartolomeu

Serviço:

Capela N. Senhora do Ó – Diariamente de 08:00 às 17:00h – fechada de 12:00 às 13:00h.

Solar do Padre Correa – Diariamente de 08:00 às 17:00h – fechado de 12:00 às 13:00h.

Igreja N. Senhora do Carmo – Diariamente de 09:00 às 17:00h – fechada de 12:00 às 13:00h.

Igreja N. Senhora do Rosário – Diariamente de 09:00 às 17:00h – fechada de 11:00 às 13:00h.

Igreja N. Senhora da Conceição – Diariamente de 08:00 às 17:00h – fechada de 12:00 às 13:00h.

Museu do Ouro – De Terça a domingo – Diariamente de 10:00 às 17:00h – fechado às segundas-feiras.

Casa da Ópera – Diariamente de 08:00 às 17:00h – fechada de 11:00 às 12:00h.

Casa de Câmara e Cadeia – De Segunda a sextas-feiras – Diariamente de 08:00 às 17:00h.

Chafariz do Kaquende – aberto ao público 24 horas por dia – todos os dias da semana.

Não é possível fotografar ou filmar no interior das Igrejas ou do Museu (este permite apenas nos pátios internos).

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