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Visitar uma gruta mineira é desvendar os segredos existentes no subsolo. É uma viagem subterrânea. Minas tem inúmeras grutas, mas as mais famosas são a Gruta de Maquiné, Lapinha e Rei do Mato, praticamente todas numa mesma região, bem próximas a BH, onde também o visitante poderá se deliciar com os pratos típicos regionais. As visitas são todas guiadas e feitas em total segurança, já que são abertas a visitação pública. Entretanto há muitas outras que não foram ainda exploradas e oferecem riscos ao visitante. Evite estes locais.

Como chegar?

Como são localidades diferentes eu vou fazer um roteiro onde você poder ver todas no mesmo dia, desde que não prolongue muito em suas visitas.

Saindo de Belo Horizonte siga pela MG 10 por 12 km e depois pela direita por mais 15 km pela mesma rodovia (MG-424) até o acesso a cidade de Lagoa Santa, entrando à direita na saída 30A da rodovia. Siga as placas em direção a Serra do Cipó. No bairro Campinho (após Km 44) você verá a placa indicando o acesso para a gruta, à esquerda (6 km), você estará na Gruta da Lapinha. Se seguir direto você chegara a outra recepção da Gruta chamada de Casa de Fernão Dias.

Saindo de lá, siga a direita até trevo da entrada da cidade de Pedro Leopoldo, prosseguindo pela MG-424 até a cidade de Sete Lagoas e alcançando o trevo da BR-040 (39 km). Chegando, siga pela direita até a entrada da MG 421 (23 km), acessando o trevo á esquerda. Prossiga por mais 22 km até a cidade de Cordisburgo. Na área central, seguindo as placas indicativas poderá ser visitado o Museu Guimarães Rosa. Saindo de lá, seguindo as placas, prossiga na rodovia até por mais 5 km, e estará em frente a Gruta de Maquiné.

Logo após a visitação, volte pela mesma rodovia (MG-421) até o trevo com a BR-040, seguindo a esquerda em direção a Sete Lagoas. Permaneça na rodovia por mais 24 km. No segundo trevo de acesso a Sete Lagoas, vire a direita e você chegou a Gruta Rei do Mato. Ao término de seu passeio, acesse a rodovia à direita no sentido Belo Horizonte. Bom passeio.

Onde passear?

A Gruta de Maquiné, descoberta em 1825, passou por uma série de melhorias de seus atrativos para agradar ainda mais o visitante. Agora, algumas das esculturas formadas em milhões de anos, por minúsculos gotejamentos de água em seu interior, são iluminadas por LEDs.

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O caminho também segue uma iluminação possibilitando uma caminhada mais segura dentro da gruta. O espetáculo das imagens é imperdível. São sete salões em aproximadamente 650 m lineares num desnível até pequeno (18 m).

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Não dá para imaginar como seria a vida no passado num local desses, iluminado apenas por tochas ou fogueiras e com toda a sorte de aves ou animais de pequeno e médio porte andando por ali. Ás vezes você esquece do chão onde pisa (mas pare antes) e olhe para cima, como é alto alguns daqueles salões.

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Em 1834, o naturalista dinamarquês Peter Wihelm Lund, considerado pai da paleontologia brasileira, explorou a caverna cientificamente e encontrou fósseis de ossadas de animais pré-históricos (tigre-dentes-de-sabre e a preguiça gigante). Por lá viveu cerca de 10 anos (Lagoa Santa) e deixou grandes descobertas sobre fósseis e da fauna da região das grutas.

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Mas ver as formações ali dentro é um espetáculo que a natureza fez em milhares de anos. São estalagmites e estalactites, em sua maioria, decorrentes da infiltração da água e da deposição lenta da calcita. Algumas dessas formações levam nomes curiosos de acordo com a imagem com que parece: véu de noiva, cascata, couve flor, etc..

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Em Maquiné, há também alguns pequenos lagos internos, formados, como as esculturas, pelas infiltrações de água por entre as paredes de rochas.

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Há outras grutas na região, entretanto ainda não foram totalmente exploradas e não estão abertas a visitação pública.

Todas são muito bonitas, mas Maquiné excede a todas elas, pelo cuidado e pelo que apresenta ao visitante. A Rei do Mato é a mais “nova” das três, digo mais nova no sentido de aberta à visitação, pois todas elas foram formadas há milhares de anos atrás.

Os grupos de visitantes são conduzidos com total segurança por guias locais para dentro das grutas. Não é permitido fazer visitas sem o guia presente.

Bem próximo dali, digo ainda, no caminho da Gruta de Maquiné, na cidade de Cordisburgo, existe o Museu Guimarães Rosa, dedicado a este grande escritor brasileiro, montado exatamente na casa onde nasceu e passou parte de sua infância. O autor escreveu algumas das páginas mais marcantes da literatura deste país. Nas instalações estão documentos textuais, peças de vestuário e de montaria daquela época ligados a atividade pecuária além de móveis e utensílios.

Gruta da Lapinha, um pouco menor, com 511 ms lineares, porém maior em desnível (40 m de profundidade), possui 8 salões abertos à visitação pública, aqui os atrativos já são um pouco diferentes da Gruta de Maquiné. Os candelabros são a formação que mais aparece nesta gruta, que também acabou sendo descoberta e pesquisada cientificamente pelo mesmo pesquisador das outras grutas, o dinamarquês Peter Wihelm Lund.

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Na saída da MG-10 (após o Km 44), em 6 km você já chega a entrada do Parque Estadual do Sumidouro.

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Logo na recepção onde funciona o centro de atendimento aos visitantes está o Museu Peter Lund com uma mostra de mais de 80 fósseis vindos do Museu de História Natural de Copenhague (Dinamarca), já que para lá foram levados quando descobertos aqui no Brasil.

A gruta possui duas entradas: a primeira, chamada de Gruta da Lapinha, fica a 6 km da saída à esquerda, após o km 44 da MG 10 e a segunda, exatamente 6 km após o primeiro acesso a gruta, chamada de Casa Fernão Dias (onde teria morado o famoso bandeirante que aqui ficou uma temporada em busca de pedras preciosas).

Além do Museu e da gruta há passeios por trilhas na região, todas guiadas, com preços acessíveis e também a possibilidade de escalar paredões, desde você traga o material e pague a taxa de R$ 10,00.

A trilha do Sumidouro sai da recepção da área da Casa de Fernão Dias. É de grau de dificuldade médio e dura cerca de 1,5 hora. Já a trilha da Travessia, que sai da recepção da gruta da Lapinha é mais demorada chegando a 3,5 horas, mas como o mesmo grau médio de dificuldade. Em qualquer uma das duas, durante o percurso é possível ver pinturas pré-históricas e uma visão panorâmica da região da lapinha, além de lagos e formações rochosas.

Não é permitido filmar ou fotografar dentro da gruta, infelizmente.

Finalmente a Gruta Rei do Mato (o nome vem da lenda de um possível fugitivo da revolução de 1930 que teria habitado o local), é a mais nova das três (considerando a abertura à visita pública), bem menor que as anteriores, com apenas 220 m de extensão,  quatro salões e 30 m de profundidade. A gruta possui uma rara estrutura rochosa de duas torres cilíndricas de 25 cm de espessura mas de 12 m de altura, algo único nas grutas do país. Há ainda pinturas rupestres (escritas nas paredes da gruta), com sangue de animais e gordura vegetal datadas de 6 mil anos atrás.

Onde comer?

Não há muitas opções de restaurantes próximos. Os melhores locais para se alimentar ficam em Sete Lagoas, Lagoa Santa ou ainda às margens da rodovia de acesso as atrações.

Onde hospedar?

Todas as atrações são próximas a BH (apenas 120 km de distância máxima). Assim, recomendo a hospedagem em BH pela maior possibilidade de opções, entretanto existem bons hotéis em Sete Lagoas ou Lagoa Santa.

Serviço:

Gruta Rei do Mato – Rodovia BR 040 – km 472 s/n – Sete Lagoas – MG – Diariamente de 09: às 16:30 (o último grupo, de até 18 pessoas, inicia o percurso ás 16:00h. Ingressos a R$ 15,00 – crianças, estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada ((R$ 7,50) – tempo de visitação: aproximadamente 1:00h.

Gruta de Maquiné – Via Alberto Ramos – MG 421 – km 5 – zona rural – Cordisburgo – MG -Diariamente de 08:00 às 17:00h (o último grupo, de até 25 pessoas cada, inicia o percurso às 16:00h. Ingressos a R$ 20,00 – crianças, estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada (10,00)

Museu Casa Guimarães Rosa – Avenida Padre João, 749 – Centro – Cordisburgo – MG – Diariamente 09:00 às 17:00 – fechado as segundas-feiras.

Gruta da Lapinha – Estrada Campinho – Lapinha – km 06 – Lagoa Santa – MG – Diariamente 09:00 às 17:00 – fechado as segundas-feiras. Ingressos a R$ 15,00 com direito a visita ao museu e gruta. Ou R$10,00 para visitar apenas o Museu Peter Lund. Crianças, estudantes e pessoas com mais de 60 anos pagam meia entrada. Há possibilidade de fazer caminhada em trilha pelo parque acompanhado de guia. Geralmente os grupos são formados duas vezes por dia, somente. Para fazer escaladas a taxa é de R$ 10,00, por pessoa. Os preços para as trilhas são: Sumidouro – R$ 10,00 e Travessia – R$ 20,00. Todas são guiadas e tem grau médio de dificuldade. Para fazer as trilhas é necessário agendamento.

Como em todas as atrações em grutas, tente fugir dos feriados. Nestas datas há excesso de visitantes e como há limitação na quantidade de visitantes em cada grupo, você poderá ter que esperar novo horário até que o guia retorne para levar um novo grupo ao passeio. Mas aproveite o tempo e veja as atrações do Museu Peter Lund, enquanto espera.

Veja também: Dicas úteis para se visitar uma gruta

Categories: Circuito das Grutas

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